Os 20 anos do incêndio que destruiu a Câmara
Por João C. Garavaglia
Foto por Joel Jordani/AHCM
Incêndio destruiu praticamente todo o 3º piso do Centro Administrativo
Nesta sexta-feira, dia 17 de fevereiro, faz 20 anos do incêndio que destruiu por completo o 3º piso do Centro Administro Municipal onde estava instalada a Câmara Municipal de Vereadores, o Conselho do Plano Diretor Urbano (CPDU) e a Secretaria do Desenvolvimento Urbano.
O Gabinete Municipal de Planejamento (Gamaplan), a Secretaria da Fazenda e o Gabinete do Prefeito não foram atingidos.
Mais de sete mil pessoas estiveram no local acompanhando o incêndio. Havia temor que ele pudesse também atingir as secretarias de Educação e da Habitação, onde havia vários botijões de gás. Os prejuízos avaliados foram mais de 100 milhões de cruzeiros.
O incêndio, conforme registros da época, começou por volta das 19h30min.
As chamas consumiram cerca de 176 poltronas, mesas, armários, uma central telefônica recentemente instalada, pinturas de Aldo Locatelli nas paredes idealizadas ainda da década de 50 quando o prédio foi inaugurado para servir de sede da Festa da Uva, os carpetes existentes e que eram inflamáveis e várias máquinas.
A Câmara de Vereadores, cujas sessões ordinárias de 1992 recomeçariam no dia seguinte, 18 de fevereiro, foi literalmente destruída pelas chamas. O fogo consumiu os anais dos últimos 16 anos, material guardado na secretaria, resoluções da mesa, documentos do departamento de pessoal, requerimentos, indicações e projetos apresentados pelos vereadores. Livros e atas que estavam gravados em disquetes foram salvos.
O incêndio durou cerca de duas horas e se não fosse o ágil trabalho dos bombeiros, através do 5º Grupamento de Incêndio auxiliado por grupos de brigadas antifogo de empresas da cidade, os prejuízos poderiam ter sido muito maiores.
Quando os bombeiros chegaram, as labaredas já estavam altas. Seis caminhões-tanque trabalharam no local com 3,5 mil a sete mil litros de água cada. A Brigada Militar, através do 12º BPM, esteve no local com 80 PMs para dar segurança. Posteriormente 100 soldados permaneceram no local durante toda a noite.
Conforme o engenheiro Marçal Maroni, do Instituto Criminalística Coordenação Geral de Perícias da Secretaria de Justiça do Estado, o incêndio teve como causa principal problemas elétricos com a fiação elétrica e disjuntores. O papel abundante que havia no local também se encarregou de espalhar rapidamente as chamas. Havia também a versão de que o incêndio teria iniciado no saguão de entrada da Câmara de Vereadores. Especulava-se a hipótese de alguém ter deixado um toco de cigarro no chão, o que teria originado o início do incêndio.
Mansueto: “achei que era brincadeira”
O prefeito na época era Mansueto Serafini Filho, que havia assumido em 1989 e estava ingressando no último ano do seu segundo mandato. Mansueto lembra que por volta das 19h30min, ele estava em sua residência, recebeu um telefonema do então vereador Odir Frizzo que o informou do incêndio na prefeitura: “Prefeito, a Prefeitura está pegando fogo”, foi o que eu ouvi do Frizzo por telefone. Inicialmente achei que era uma brincadeira, mas depois do Frizzo me dar mais detalhes vi que a situação era realmente grave e me desloquei rapidamente até a prefeitura, onde acompanhei os trabalhos até o seu final, colocando tudo o que estava ao meu alcance para que as chamas fossem debeladas”.
Mansueto destaca a eficiência do trabalho dos bombeiros que foi vital para que a destruição não fosse maior. Os prejuízos poderiam ter sido maiores porque setores importantes como o Gamaplan, secretaria da Fazenda, de Educação e Habitação e o gabinete do prefeito não foram atingidos. Ele exalta também a participação da comunidade pronta para ajudar. “Por alguns dias instalei meu gabinete nas dependências do Samae, que ficava na Rua Garibaldi”, lembra Mansueto. Ele recorda ainda a tristeza do então presidente da Câmara, vereador Virvi Sirtoli, que estava desolado.
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