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21/06 às 10:17 CIDADANIA
 

Que São João é esse?

O mês de junho é o mês dedicado às festas juninas, que tanto alegram as crianças e adultos nesta época do ano. No entanto, poucos sabem da história de São João e de sua relação com a festa e a tradicional fogueira.

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Fonte: Kátia Frizzo

 

 

Nascido em 24 de junho, alguns meses antes de Jesus, São João Batista é filho de Isabel, prima de Maria, que anunciou a vinda do Messias e foi chamado de precursor do povo judeu. Segundo a lenda, Maria e Isabel, grávidas ao mesmo tempo, combinaram que a primeira a ter o bebê avisaria a outra acendendo uma fogueira que pudesse ser avistada à distância, no deserto da Judéia, onde viviam. Santa Isabel foi a primeira a acender o fogo, quando nasceu João. Daí nasceu, então, a primeira associação de São João com a fogueira.

 

Precursor

Poucos sabem, mas João foi o precursor do cristianismo, pregando às margens do Rio Jordão, onde ficou conhecido pela prática da purificação através das águas que resultou na nossa tradicional prática do batismo, tendo inclusive batizado o próprio Jesus Cristo nas águas desse rio. Por isto, João foi preso e mandado ao Rei Herodes, o mesmo que condenou Jesus pouco depois, pois sua pregação incomodava aos poderosos.

 

Fogueira

 A pedido da enteada Salomé, Herodes mandou degolar João Batista e entregou sua cabeça à enteada numa bandeja de prata, queimando-o depois em uma fogueira acesa numa das festas promovidas no palácio. Daí, portanto, encontramos duas associações de São João com a fogueira, que esteve presente tanto no seu nascimento, quanto na sua morte (Ao contrário da imagem descrita pela Bíblia de um homem ríspido e severo, tem-se nas festas a sua imagem associada a uma criança meiga e alegre, que adora foguetes e barulho).

 

Práticas

Outras práticas comuns nas festas de São João, porém, merecem maior reflexão, pois sua simbologia nada tem a ver com a história do santo e atentam contra os princípios da convivência social, sem que nos demos conta de sua importância.

 

Venda de votos

Uma das práticas muito comuns em escolas no período que antecede a festa junina é a venda de votos para a escolha de rei e rainha, sinhozinho e sinhazinha ou outro título a que concorrem principalmente as crianças.

Cidadania

A venda de votos configura uma prática que atenta a cidadania, causando imensos prejuízos à democracia e à convivência social. Em primeiro lugar, porque é uma prática que privilegia o poder econômico, acima de tudo, pois as crianças que provêm de lares com maior poder aquisitivo disputam em condições mais favoráveis do que as outras. Não é justo, não é correto e não é divertido constatar que este título é literalmente comprado, nada tendo a ver com atributos pessoais ou de destaque dos candidatos.

Desigualdade

Ponto para a injustiça e para a desigualdade, portanto. A venda de votos ainda soa como um atentado à democracia e à boa política, pois associa na cabeça das crianças a idéia do voto com algo que se pode comprar e vender. Quando é a escola que propõe, então, temos um completo e inusitado quadro de uma prática educacional contrária à cidadania.

Negativo

Outro aspecto negativo da prática da venda de votos nas festas de São João é a aprendizagem da “arte de pedir” de casa em casa, o que pode estimular, na cabeça das crianças mais pobres, a prática de pedir esmolas, baseada no sentimento de compaixão dos adultos que querem ajudá-las. Não são poucas as crianças que, exploradas pelos adultos, pais ou responsáveis, aprendem a pedir cedo, estimuladas por práticas aprendidas na escola.

“Cadeia”

Uma outra prática muito difundida nas festas juninas é a existência de uma “cadeia”, onde se pode, mediante um pagamento simbólico, mandar prender alguém, até que outra pessoa, também mediante outro pagamento, mande soltar o indivíduo. A prática é associada, às vezes, aos inocentes filmes de bandido e mocinho de antigamente, mas, examinada de perto, serve novamente como estímulo à associação de ideias que jamais deveriam ser associadas: a prisão e o dinheiro.

Tolerância

Embora pareça uma brincadeira sem maiores consequências, e que muito diverte os adolescentes, principalmente, leva a profundas reflexões sobre a nossa tolerância com os atentados à cidadania. Pior ainda, quando executadas dentro de escolas, que deveriam servir de exemplo às novas gerações sobre as boas práticas, inclusive na área de lazer e entretenimento.

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