O episódio ocorrido na sexta-feira, dia 12, e que ocasionou um grande tumulto entre os trabalhadores metalúrgicos e a Brigada Militar próximo à empresa Randon, quando os metalúrgicos faziam uma manifestação e que culminou com a prisão do presidente do Sindicato, Assis Melo, continua repercutindo.
Coloca, na verdade, mais uma vez, na ordem do dia a entidade, uma das mais fortes do Estado e que nestes últimos 17 anos tem sido dirigida por integrantes do Partido Comunista do Brasil (PC do B) e acusada por alguns setores de utilizar a estrutura do sindicato em favor do partido.
“Máquina”
Segundo alguns analistas políticos, o Sindicato é uma espécie de fortim do PC do B nestes últimos 17 anos. Nunca, como nestes últimos anos, ficou tão latente o uso da “máquina” do sindicato para ajudar a eleger seus representantes como foi no passado com as eleições de Deo Gomes à Câmara e, agora, mais recentemente, com Renato Oliveira e Assis Melo, este recordista de votos nas eleições de 2008 e que agora já se lança a disputar uma vaga em outubro, ou à Câmara Federal ou à Assembléia, faltando ainda a definição.
Candidato
Desde 1993, quando Jorge Rodrigues substituiu a José Altamiro Paim (Zecão), o PC do B controla o poderoso Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Caxias. Rodrigues permaneceu na presidência até 2002 quando foi substituído por Assis Melo que se mantém, oito anos depois, ainda no comando da entidade, o que facilitou sua eleição - mais votado - em 2008 à Câmara de Vereadores, e agora candidato à Assembléia ou à Câmara Federal em outubro deste ano.
Penhorada
Em 2002 a Gazeta divulgava que a sede do sindicato tinha sido penhorada por causa de problemas e dívidas com a Previdência Social (INSS) que ultrapassavam os R$ 2 milhões. Mais tarde o sindicato conseguiu renegociá-la e a penhora foi retirada. O ex-presidente da entidade (1987/1992) José Altamiro Paim em entrevista à Gazeta denunciava que “quando eu saí da presidência em 1992 deixara em caixa R$ 60 milhões”. Dizia também que “ficou claro que o rombo é do período 1993/2000, na administração do Jorge Rodrigues”.
Massa de eleitores
Com uma grande massa de eleitores em Caxias representada pelo sindicato, a partir de 1993 viu a ascensão do setor mais radical da esquerda, do Comunista do Brasil (PC do B) servindo o sindicato como base para eleger vereadores além de manter cargos no executivo durante os oito anos do governo Pepe Vargas (PT 1997/2004)) – Jorge Rodrigues e Paulo Freitas assumiram duas secretarias -, além de gerar empregos na entidade para seus filiados e simpatizantes.
12 trabalhadores
O Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos nasceu da união de 12 trabalhadores das indústrias metalúrgicas em 1933 que estavam descontentes com a falta de condições e o quase aprisionamento ao emprego (na fila existiam cinco querendo a vaga). Na época ainda não existia a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Somente em 1941 em pleno Estado Novo com Getúlio Vargas que a CLT foi criada dando ao trabalhador melhores condições, maior segurança e o atendimento de reivindicações históricas.
82 associados
A sociedade dos metalúrgicos começou, aos poucos, a ser formada. As primeiras bandeiras eram erguidas e a mobilização crescia. Em 6 de março de 1933, 82 associados se uniram e fundaram o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos. Aos poucos os descontentes com a iniciativa privada e com o Governo encontraram seus nichos e as idéias de contestações e reivindicações brotavam.