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“Um organismo inteiro oferece um novo poder sobre a vida”
Após 15 anos de testes, os pesquisadores conseguiram sintetizar informações do DNA de uma bactéria em um computador. A Gazeta conversou com o biólogo da UCS, Sérgio Echeverrigaravay, especialista em genética, que a define como uma célula natural, não sintética.
Por João C. Garavaglia
Cientistas americanos dizem ter desenvolvido a primeira célula controlada por um genoma sintético. Eles garantem, que se trata da primeira célula sintética já criada. Diz-se sintética porque foi obtida a partir de um cromossomo sintético, feito com quatro substâncias químicas em um sintetizador químico, seguindo informações de um computador. A equipe de pesquisadores, liderada por Craig Venter, já havia conseguido sintetizar quimicamente o genoma de uma bactéria.
Poderoso
"Isto se torna um instrumento poderoso para que possamos tentar determinar o que queremos que a biologia faça. Temos uma ampla gama de aplicações (em mente)", disse Venter.
Criar organismos
O biólogo da UCS, Sérgio Echeverrigaravay, especialista em genética, afirmou “que o estudo de Venter, foi o primeiro passo para um leque de possibilidades, podendo ser utilizado para fins sem controle como também trazendo muitos benefícios, tais como: criar organismos capazes de resolver problemas ambientais e energéticos, como vazamento de petróleo e novas vacinas”.
Natural
Sérgio ressalta que a célula receptora é uma célula natural, não sintética, mas “o que Venter e sua equipe mostraram é que, após o transplante e várias divisões celulares, a célula receptora assumiu algumas das características do novo genoma nela inserido".
Fragmentos
Ele lembra que “os cientistas vêm alterando fragmentos de DNA há uma geração, produzindo uma mistura de plantas e animais geneticamente modificados. Mas a habilidade de criar um organismo inteiro oferece um novo poder sobre a vida, afirmaram”.
Contrato
A Synthetic Genomics, companhia fundada por Venter, já conta com um contrato no valor de US$ 600 milhões com a petrolífera Exxon Mobil para produzir algas que absorvam dióxido de carbono e gerem biocombustíveis.
Estudo
Os pesquisadores, no experimento, sintetizaram o genoma da bactéria M. mycoides, adicionando a ele sequências de DNA, para que a bactéria pudesse ser distinguida das naturais (não sintéticas). Como as máquinas sintetizadoras atuais só são capazes de juntar sequências relativamente curtas de letras de DNA de cada vez, os pesquisadores inseriram as sequências mais curtas em células de leveduras. As enzimas de correção de DNA presentes na levedura juntaram as sequências.
Genoma
Depois, as sequências de tamanho médio foram inseridas em bactérias E. coli, antes de serem transferidas de volta para o fermento. Após três rodadas deste processo, os pesquisadores conseguiram produzir um genoma com mais de um milhão de pares de bases de comprimento. Concluída essa fase, os cientistas implantaram o genoma sintético da bactéria M. mycoides em outro tipo de bactéria, a Myoplasma capricolum.
Bactérias
O novo genoma assumiu o controle das células receptoras. Embora 14 genes tenham sido alterados na bactéria transplantada, as células apresentaram a aparência de bactérias M. Mycoides normais e produziram apenas proteínas M. mycoides, segundo os autores do estudo.
Computação
O estudo de Venter e sua equipe foi financiado pela empresa Synthetic Genomics. Três dos autores e o J. Craig Venter Institute possuem ações da companhia. Segundo Venter o experimento pode ser comparado com a computação, o que a equipe fez foi trocar o “software” do sistema operacional sistema operacional e fazer um computador inoperante voltar a funcionar.
Patente
O instituto fez pedidos de patente para algumas das técnicas descritas no estudo. O objetivo final dos investigadores é instalar em uma bactéria um genoma criado em laboratório que ordene a realização de trabalhos úteis para o ser humano.
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