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30/09 às 16:52 ELEIÇÕES 2012
 

“Acredito que se dependesse do Sartori o candidato não precisaria ser do PMDB”

Nesta sexta, dia 7 de outubro, estaremos exatamente a um ano da eleição municipal. A Gazeta ouviu o professor e cientista político da Universidade de Caxias do Sul, João Inácio Lucas Coelho. Ele faz análises e projeções do que poderá acontecer dentro de um ano diante do atual quadro eleitoral na cidade.

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Por Gerson Felippi Junior

 
Foto por Claiton Stumpf
João Inácio: “Estamos ainda num cenário incerto, mas Caxias poderá ter até cinco candidatos”

Gazeta - A um ano da eleição há algum fato novo?

João Inácio - Poderia dizer que o fato novo mais marcante é a confirmação, agora oficial, do deputado Pepe Vargas que está se colocando à disposição do PT para concorrer à prefeitura. Até então ele mantinha silêncio mesmo que o presidente do partido em Caxias o tenha lançado através da imprensa no início do ano. A confirmação de que Pepe pretende ser candidato é a informação mais importante, a um ano do pleito, porque ele atua num campo diferente dos demais candidatos que poderão vir, e, se for avalizado pelo PT, é um nome em potencial para no mínimo estar no segundo turno.

Gazeta - Então o senhor acredita em segundo turno?

João Inácio - Tudo está a indicar que sim, porque o quadro que se mostra neste momento é que poderemos ter vários candidatos, diferente de 2008 quando tivemos apenas dois e um deles conseguiu ter o apoio de 15 partidos. Há uma projeção de que para a eleição de 2012 Caxias possa ter até cinco candidatos, o que aumenta as chances de segundo turno.

Gazeta - Então o senhor não acredita que possa se repetir o fenômeno de 2008?

João Inácio - Talvez possa acontecer num segundo turno, mas no primeiro é muito difícil, pois surgiram novas possibilidades a partir do momento que Sartori não pode mais concorrer à nova reeleição.

Gazeta - E o PMDB sem Sartori e Rigotto terá candidato?

João Inácio - No PMDB estão existindo internamente disputas próximas ao prefeito Sartori que defendem uma candidatura unificada para manter o atual projeto, dar continuidade a ele. Outros defendem que o PMDB tenha uma candidatura própria. Acredito que se dependesse do Sartori o candidato não precisaria ser do PMDB, poderia ser de outra agremiação, mas há pressões fortes e interesses de que o partido tenha um candidato.

 

 

“O PDT caxiense vive um momento crucial, ele não pode recuar”

 

 

Gazeta - E o PDT terá candidato e está unificado?

João Inácio - Bem, o PDT tem uma formação mais ligada ao gabinete do prefeito e que defende, nos bastidores, que seja mantida a atual estrutura. Mas o PDT com Alceu Barbosa, que se elegeu deputado estadual, e Vinicius Ribeiro tem nomes fortes, vive um momento crucial, talvez o melhor desde que foi fundado em Caxias. Dá para dizer, num linguajar mais gauchesco, que o cavalo pode estar passando encilhado. É um partido que conseguiu se reerguer e nestas alturas o PDT não pode recuar para continuar crescendo. Se não aproveitar esta maré favorável poderá ter um retrocesso de difícil reerguimento no futuro.

Gazeta - Em Caxias existe uma tradição de polarização. De 1996 para cá ela passou a ser entre PMDB e PT. Continuará?

João Inácio - Pode até ser, embora o quadro inicial mostre dificuldades no PMDB em termos de candidaturas, o que não acontece com o PT a partir do momento que Pepe assumiu publicamente que pretende concorrer. O PMDB, além de ter que conseguir um candidato forte, terá que buscar o maior número possível de alianças, o que talvez seja mais difícil diante da perspectiva de outros candidatos surgirem da atual coalizão de 15 partidos. Nas eleições de 2004 e 2008 foram decisivas as alianças. Em 2004, no segundo turno, com o apoio de Pauletti, e em 2008 com a unificação ainda no primeiro turno. Além do mais, o PMDB sempre teve o apoio do PDF com o Alceu de vice.

 

  

“Se tiver segundo turno o PT sabe que alianças são decisivas”

 

Gazeta - No estado e no país alianças entre o PT e o PDT têm sido cada vez maiores. Haveria condições de ela acontecer em Caxias?

João Inácio - Bem, o que se sabe é que existe uma grande pressão para que isto ocorra em Porto Alegre e outros municípios. Como já afirmei acima, o PDT caxiense terá que tratar com muito carinho esta eleição à prefeitura. Acho que em Caxias é muito difícil esta união entre os partidos. Há muitas sequelas oriundas ainda da primeira administração do PT quando Barbosa Velho chegou a ser o líder do Pepe na Câmara. Naquela época houve divergências que provocaram a ruptura entre os partidos.

Gazeta - Que alianças o PT conseguirá?

João Inácio - Uma provável é com o PCdoB que deverá ter caráter nacional. Como o PT concorre pela primeira vez, tendo o governo do Estado e presidência da República, as possibilidades de aumentar suas alianças crescem. O fato de ter o nome sempre forte do Pepe como seu provável candidato e a atual situação ainda não ter um definido pode ajudar e estimular apoiamentos. O PT, como qualquer outro partido, sabe que, especialmente no segundo turno, se ele acontecer, alianças podem ser decisivas.

 

 

 

Corlatti, se for candidato, terá seu foco nos empresários e na classe média caxiense”

 

 

Gazeta - O Prefeito Sartori tem defendido que o momento ideal de se falar em sucessão, em anunciar candidatos é para depois da Festa da Uva. Como o senhor vê esta decisão?

João Inácio - Me parece uma decisão arriscada. Não lançar agora e esperar para fevereiro ou março pode trazer prejuízos porque outras candidaturas podem crescer neste meio tempo. O PT deve definir seu nome, provavelmente o Pepe, ainda em outubro ou novembro. O PDT deve tomar o mesmo caminho. Estamos, na verdade, num cenário incerto.

Gazeta - Como senhor viu o ingresso do empresário Milton Corlatti ao DEM e a possibilidade de ele concorrer? Pode mudar o cenário?

João Inácio - Se ele for candidato deverá ter como foco os empresários, a classe média e especialmente os eleitores mais localizados na área central. Será muito complicado se eleger ou ter chances maiores. Historicamente sabe-se que em Caxias quem geralmente vence as eleições é quem tem um maior apelo popular.

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