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Horário eleitoral gratuito, piadas e o seu dinheiro
Você sabia que o horário eleitoral gratuito não é gratuito? E quem o paga é você, contribuinte brasileiro? E essa soma chega a R$ 850 milhões só em 2010, sendo que essa lei existe desde 1993.
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Durante os 45 dias de horário político na TV e no Rádio, as emissoras receberão desconto de mais de R$ 850 milhões no Imposto de Renda pela transmissão do horário eleitoral que chamamos de gratuito. O desconto está em vigor desde 1993. Além disso, a população também participa financeiramente das campanhas por intermédio do fundo partidário – que em 2010 somou R$ 200 milhões. Essa é a soma do dinheiro que deixará de ir para os cofres públicos em razão do horário eleitoral.
Censura no Humor
Além do horário eleitoral gratuito não ser gratuito, o Governo chegou a sancionar uma lei que proibia os humoristas de fazerem piadas com os políticos durante o período eleitoral. Após uma reivindicação no Rio de Janeiro que reuniu os principais humoristas do Brasil, a repercussão da passeata acabou derrubando a lei. Essa lei já existia desde 1997, mas a proibição de sátiras políticas nunca havia sido aplicada, como foi feito este ano.
A Gazeta de Caxias conversou com o Candidato a Deputado Federal pelo PT, Pepe Vargas, sobre esses dois assuntos. Sobre o horário político, Pepe explica a importância dos minutos disponíveis: “Dependendo do espaço, você tem mais tempo e condição de mostrar sua trajetória e o que você propõe. No caso da eleição para Deputado o tempo é menor e por isso o que vale mesmo é aparecer na TV para que o eleitor lembre de ti. É uma aparição cujo objetivo é fazer com que o maior número de pessoas possa lhe ver, assim vão lembrar quem você é, os referenciais do que já fez e assim vão definir seu voto”.
Discurso Político
Para Pepe, “O problema não está no humor, nem na sátira, pois ambos podem ser trabalhados com finalidade política. O problema não está em usar o humor, é que alguns acabam rebaixando o discurso político, como no caso de Tiririca e tantos outros”.
“A liberdade de imprensa
e expressão tem limites,
porque caso contrário elas
acontecem sem equilíbrio”
O Deputado explica que “qualquer veículo de comunicação deve prezar pela isenção durante o período eleitoral. Não devem existir prós e contras dos candidatos considerando o poder que a mídia tem. A liberdade de imprensa e expressão tem limites porque, caso contrário, as coisas acontecem sem equilíbrio, nesse período vale a liberdade das regras eleitorais.
Redemocratização
O Candidato relembra que já houve épocas em que a mídia favoreceu candidatos que acabaram tomando o Governo. “O princípio democrático diz que não se deve denegrir a imagem de um candidato e favorecer outro. Isso desequilibra o poder da democracia, tal como aconteceu no período de redemocratização do país quando a imprensa favorecia alguns candidatos. Naquela época eram editados os debates eleitorais, hoje não se pode fazer isso para não acabar favorecendo nenhum dos candidatos”.
CQC
Falando em programas de humor, Pepe já foi entrevistado pelo CQC. “Vi uma vez, que foi depois da entrevista, não acompanho o programa. A única vez em que me pararam eu aceitei e respondi a pergunta, e não vejo motivos para não parar. Quanto aos demais humoristas, piadas de mau gosto devem ser evitadas, se ele diz o que ele quer, ele pode ouvir o que não quer”.
Perguntas Técnicas
“Quanto ao CQC, que eu pude perceber na matéria em que me entrevistaram, muitas vezes as perguntas são muito técnicas e alguns deputados não sabem responder. Isso não desqualifica o Deputado, pois ele pode não saber do que se trata aquele assunto que, como disse, pode ser muito técnico”, falou Pepe.
Desatentos
Além das perguntas técnicas, Pepe explica que muitos assuntos não são de conhecimento geral dos Deputados. “Ninguém conhece tudo o que acontece lá dentro, alguns detalhes superficialmente e dificilmente muitos assuntos profundamente. Muitas vezes o Deputado acaba procurando assessoramento para saber o que está acontecendo no Congresso. Mas é claro que tem Deputados muito desatentos, que não sabem de notícias que estão na Capa dos Jornais, mas isso são alguns, não podemos generalizar”.
A Gazeta contatou a Assessoria do Deputado Ruy
Pauletti (PSDB) para essa matéria, mas não obteve retorno.
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