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21/12 às 16:14 ENTREVISTA – JOÃO INÁCIO LUCAS COELHO
 

“O lançamento do Pepe tende a fortalecer aliança PMDB/PDT”

O cientista Político e professor da Universidade de Caxias do Sul, João Inácio Lucas Coelho, faz uma análise e projeções sobre as eleições de 2012 em Caxias à Gazeta.

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Por João C. Garavaglia

 
Foto por Jonas Ramos
João Inácio acredita mais uma vez na polarização à prefeitura com Pepe Vargas e Alceu Barbosa despontando como os nomes
2012 será ano em que elegeremos o novo prefeito de Caxias e também o ano em que a Câmara de Vereadores elegerá 23 vereadores, um número recorde na história do legislativo caxiense. A eleição para prefeito deverá, como sempre acontece, monopolizar as atenções. Mais de 300 mil eleitores elegerão o sucessor de José Ivo Sartori (PMDB) que não poderá mais se reeleger, conforme determina a Lei eleitoral.
A dez meses das eleições de 7 de outubro reina uma expectativa de quem serão os candidatos. O PT saiu na frente lançando Pepe Vargas. No lado da situação existem muitas especulações, mas um nome que cresce a cada dia como possível candidato único é o do deputado Alceu Barbosa Velho (PDT).
A Gazeta procurou mais uma vez o cientista político João Inácio Lucas Coelho para falar sobre o tema.
 
 
 
“Há forte tendência para a polarização de dois candidatos”
 
 
Gazeta - Com o lançamento do nome de Pepe Vargas como candidato do PT à prefeitura ele leva alguma vantagem?
João Inácio – Parece-me que o lançamento do nome do Pepe produziu efeitos nos seus adversários que se mobilizaram mais a partir daí, tanto que o próprio prefeito já declarou que quer que o seu partido, o PMDB, e o PDT se acertem em busca de um nome que terá seu imediato apoio. Esta reação é normal, pois todos conhecem o potencial do Pepe, especialmente agora que Sartori não poderá mais concorrer. O pré-lançamento de Pepe tende a fortalecer a coligação PT/PDT, pois se isto não acontecer correm o risco de não ter o segundo turno. Talvez se fosse outro o candidato do PT não haveria tal reação.
Gazeta - O senhor acredita que poderá haver mais do que dois candidatos?
João Inácio - Temos que pensar no ponto de vista dos partidos. Sabe-se que a eleição majoritária exerce forte pressão para a bipolarização. Assim, a busca de um lugar ao sol fica fragilizada e partidos como o, PP, PTB, DEM, PSD, PCdoB acabam ficando enfraquecidos. Parece-me que há um cálculo equivocado realizado dentro da égide presidencialista de coalizão, deixando o sistema hibrido com os partidos se conformando e buscando seus espaços em assessorias, secretarias, ministérios, etc. E a partir daí a tendência é sempre apoiar alguns partidos tradicionais que sempre lançam candidatos e acabam se perpetuando enquanto que os demais atuam como coadjuvantes em busca de cargos e empregos.
 
 
 
“Nas entrelinhas o prefeito está querendo dizer que o PMDB não tem candidato”
 
 
Gazeta - O que teria que ser feito para evitar isso?
João Inácio - O ideal seria mexer com toda esta estrutura e os partidos passassem a lançar seus candidatos no mínimo no primeiro turno para poderem ter chance de crescerem e chegarem ao poder, Mas ao fazer ao contrário eles apenas acabam fortalecendo os partidos majoritários. Em nível nacional tem ocorrido entre PT/PSDB, em nível estadual PT/PMDB, o mesmo se repetindo em Caxias nestes últimos anos. Talvez surjam mais dois os três partidos menores com candidatos, mas a tendência é que se repita a polarização, desta feita entre o PT tendo aliança com o PCdoB, talvez o PP, contra os demais partidos liderados pelo PMDB e o PDT.
Gazeta - Na última edição da Gazeta o prefeito José Ivo Sartori assumiu posições referentes à eleição. Entre elas de que PDT e PMDB estarão juntos em 2012 e que cabe aos dois partidos definir um nome que ele apoiará.
João Inácio - É uma medida em busca de melhores condições. Pepe é forte e sabe-se que sem Sartori, que derrotou por duas vezes o PT e numa delas o Pepe, ele concorrendo sem a presença do prefeito pode levar vantagem. Veja que é uma medida constrangedora. Nas entrelinhas o que o prefeito está querendo dizer é que o PMDB não tem candidato que tenha potencial de vencer as eleições e que o melhor estaria com o PDT com seu ex-vice Alceu Barbosa Velho.
Gazeta - O fato de que as relações em Porto Alegre entre o PDT e o PMDB estão estremecidas, setores peemedebistas falam em “traição” do atual prefeito José Fortunatti, que era vice de José Fogaça, não podem prejudicar um acordo em Caxias.
João Inácio - Acredito que não, embora na capital as relações estejam estremecidas entre o PMDB e o PDT. Fogaça se elegeu prefeito de Porto Alegre em 2008 e Fortunatti seu vice. Em 2010 Fogaça renunciou para concorrer ao Senado e Fortunatti assumiu. Agora, setores do PMDB dizem que Fortunatti escanteou o partido e Fogaça do seu governo ficando com todo o legado, inclusive buscando uma aproximação com o PT e com o governo do estado. Há quem tema que o fato possa se repetir em Caxias com o partido ficando de refém do PDT e Barbosa Velho, se este for o candidato e se eleger. Acredito, porém, que em Caxias haverá um acordo, pois os dois partidos estão junto há sete anos sem que houvesse maiores problemas. Na verdade, PMDB e PDT sabem que desunidos a eleição pode se definir inclusive no primeiro turno favorável a Pepe.
 
 
“A tendência do Assis e do PCdoB é apoiarem  Pepe Vargas e o PT”
 
 
 
Gazeta - Se houver este acordo entre PMDB/PDT os partidos que hoje apoiam o governo e que chegam a 16 se manterão?
João Inácio - Esta será, sem dúvida, a tentativa do prefeito que já demonstrou que quer a unidade antes de nomes para que o seu projeto de governo possa ter continuidade. Talvez seja um pouco difícil, pois Sartori não é mais o candidato. Mas caso houver o acordo entre o PMDB e o PDT a tendência é que a maioria deles continue na aliança. A dúvida estaria no PSB que está dividido entre um grupo que é governo e outro que estaria disposto a apoiar Pepe e o PT. É bom lembrar que em nível nacional o PSB está meio atritado com o PT e com o governo Dilma. No PP também há certo descontentamento de um grupo que estaria disposto a apoiar Pepe Vargas. O PRB fala em lançar um nome, O PSOL deve sair com candidato próprio, mas num segundo turno, se houver, a tendência é apoiar Pepe.
Gazeta - E o PCdoB com Assis Melo pode concorrer?
João Inácio - Não acredito. O Assis já tem seu prestígio consolidado e acho que mais uma vez a coligação com o PT é o caminho inevitável, inclusive até com uma orientação em nível nacional. Já é diferente em relação ao PSB onde me parece ser mais difícil sair um acordo com o PT.
Gazeta - Nestas alturas não existe nenhum favorito?
João Inácio - Aposto que será uma eleição disputadíssima. Até pelo comportamento que se vê neste final de 2011 dos partidos vamos ter mais uma vez a polarização em dois candidatos. Na verdade, os partidos que querem lançar candidatos teriam que estar se movimentando tendo um nome para concorrer já em 2011, dificilmente em 2012 isso acontecerá. Está mais uma vez pintando duas grandes candidaturas e talvez duas ou três menores que não terão nenhuma chance de se eleger.
 

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