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22/06 às 16:48 120 ANOS: CAXIAS MUNICÍPIO
 

Uma cidade que cresceu com o comércio

Caxias está comemorando aniversário nesse fim de semana. Uma cidade que cresceu devido ao comércio de produtos coloniais e, posteriormente, a grande industrialização. Agora é época de comemorar, mas devemos lembrar de como Caxias era no passado.

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Foto por Gabriel Rodrigues
Professora Loraine Giron: “Caxias teve um crescimento extraordinário e tudo se deve ao comércio colonial”.
O Caxiense
Uma das pessoas mais importantes para falar sobre a cidade de Caxias do Sul é a professora Loraine Slomp Giron. Pesquisadora da imigração italiana no Rio Grande do Sul desde 1970, Loraine tem 18 livros publicados sobre o assunto. Questionada sobre “a definição do caxiense” ela foi bem humorada ao responder que “O caxiense é um sobrevivente... do trânsito”.
 
Falta de Planejamento
Para Loraine Caxias é um exemplo de cidade que não respeita o seu passado. A professora fala isso porque Caxias, no início da colonização, era toda planejada, e com o passar dos anos se desenvolveu a partir do caminho das estradas. “Caxias excluiu todo o seu verde e o planejamento que havia sido feito, hoje não param de surgir loteamentos que são crimes urbanos”, disse Loraine.
 
Traçado Original
Apenas o centro da cidade segue o traçado original. O resto da cidade foi construído seguindo o trajeto das estradas que levavam as demais cidades do interior. Para a historiadora “hoje se tem o costume de primeiro construir para depois pensar onde e como foi construído, esqueceram todo o planejamento feito pelos imigrantes”.
 
Colonização
A colonização de Caxias do Sul começou quando o Governo Imperial criou as colônias para estrangeiros no Sul do País. Os imigrantes, ainda na Itália, compravam as terras aqui no Brasil. Havia então agências com sede no Porto de Gênova na Itália, e em Porto Alegre que faziam o transporte dos imigrantes até o Brasil. Os imigrantes chegavam ao Brasil e desciam nos Portos do Rio de Janeiro ou de Santos. Vinham de navio até Rio Grande, faziam outra viagem até Porto Alegre, após iam para São Sebastião do Caí e daí então iam para as colônias que lhes foram designadas.
 
“Por que comemorar
 uma estrada de fero
 se ela não existe?”
 
Caxias fazia parte do 4º Distrito de São Sebastião do Caí. Foram trazidos para cá três mil imigrantes, porém apenas os pais de família vieram no primeiro momento. Estima-se que em 1885 existiam 12 mil pessoas trazidas para o local onde hoje é Caxias. O progresso veio principalmente por causa do comércio de gêneros coloniais e o número de habitantes. Mesmo dependendo politicamente de São Sebastião do Caí, Caxias já era maior em população.
 
Crescimento
Em 1910 Caxias tinha 30 mil habitantes, segundo Loraine. Para ela esse é o exemplo de que “Caxias teve um crescimento extraordinário e tudo se deve ao comércio colonial. Há pessoas que enriqueceram vendendo ovos na Capital”. No final do Século 19 só existiam pequenas empresas manufatureiras, até que em 1906 Abramo Eberle compra a funilaria da família com o dinheiro que arrecada vendendo frutas em São Paulo. Eberle inicia então a fabricação de lâmpadas a querosene já que na época não havia luz elétrica.
 
O Trem e o
Aeroporto
Em 1910, com a Empresa de Eberle já consolidada, juntamente com demais empresas da cidade é construída a estrada de ferro que ligava Caxias ao resto do país. “Era uma necessidade do crescimento industrial da cidade. Caxias cresceu tanto que precisava do trem passando por aqui, é como hoje em que os empresários precisam de um novo aeroporto. São as necessidades do comércio e da produção que não param de crescer na cidade”, disse Loraine.
 
Futuro

Caxias cresceu graças às parcerias feitas com São Paulo, não é à toa que hoje somos o 2º Pólo Metal Mecânico do País. Para Loraine “Caxias está cada vez mais perdendo seu espaço e se tornando globalizada. As empresas deixam de ser caxienses e se tornam globais”. E a historiadora termina questionando-se: “Essa é a hora de fazer um balanço do que está acontecendo. Por que comemorar a estrada de ferro se ela não existe? Precisamos nos questionar porque em São Paulo, por exemplo, a malha ferroviária e os portos não foram desligados como aqui no Rio Grande do Sul”.

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