O Secretário dos Transportes e vereador licenciado Vinicius Ribeiro (PDT), tem seu nome inscrito pela executiva estadual como pré-candidato do partido à Assembleia Legislativa em outubro. Espera ver seu nome também homologado pelo diretório caxiense. Além de Vinicius, os nomes do vice-prefeito Alceu Barbosa Velho e do vereador Gustavo Toigo também constam dentro da mesma condição, como pré-candidatos. Vinicius acredita que “se o PDT tiver mais do que um candidato à Assembleia, além de prejudicar as relações internas, diminuirá chances de eleger alguém”.
Por João C. Garavaglia
Eleito vereador em três oportunidades, 2000, com 2.254 votos, em 2004 com 5.802, o mais votado, e em 2006 com 6.784, o mais votado do PDT. Em 2006 concorreu à Câmara Federal, não se elegeu, mas alcançou 32 mil votos, a maior votação de um candidato à Câmara Federal pelo PDT caxiense depois que ele foi criado na cidade. Estas votações nestes últimos dez anos o credenciam como um nome fortíssimo para concorrer à Assembleia pelo PDT caxiense.
Gazeta - Esta argumentação de que mais de um candidato pode não eleger ninguém está baseado em quê?
Vinicius - Nestes últimos anos o nosso histórico não é dos melhores em termos de elegermos representantes do partido. Em 2006 o Kalil foi o nosso único candidato à Assembleia e acabou se elegendo. Vejam os bons exemplos a serem seguidos do PMDB e do PT, que são partidos mais fortes do que o PDT em Caxias. Seus filados defendem apenas um candidato à Asssembleia e um à Câmara Federal para poderem ter bases mais sólidas e assim elegerem ambos. Se eles são maiores do que nós, por que o PDT precisa ter três candidatos em Caxias? Entendo que se tiver mais do que um, pode, além de prejudicar as relações internas, o que acaba sendo inevitável, pois se criam grupos rivais que provocam desgastes, vamos ver diminuídas as chances do PDT eleger no mínimo um nome, isto é, manter a vaga do Kalil à Asssmbleia.
Gazeta - O vice-prefeito Alceu Barbosa Velho (PDT), em entrevista à Gazeta, também defendeu a tese de apenas uma candidatura à Assembleia.
Vinicius - Acho uma atitude inteligente. Pela conjuntura interna do partido é a mais ideal, a mais inteligente, porém, lamentavelmente, não sei se será possível. Eu respeito o valor e o trabalho do Alceu, respeito o valor e o trabalho do Toigo. Acho normal que outros companheiros coloquem seus nomes à disposição e respeito a iniciativa e a vontade de cada um deles. Porém, quero deixar bem claro que eu tenho o meu valor e tenho o meu trabalho.
Gazeta - O fato destes últimos anos o senhor ter obtido sempre as maiores votações do PDT em Caxias à Câmara em 2004 e 2008, e em 2006 concorrendo à Câmara Federal somou 32 mil votos, não lhe dá uma certa vantagem de ser este nome?
Vinicius - Acredito que meu histórico é de muita garra, luta, de resultados positivos, fruto de trabalho como nas eleições em que participei. Só foi possível pelas oportunidades que o PDT me deu, pelo grupo de amigos e conhecidos que confiaram no PDT e em mim. O PDT caxiense está numa fase muito positiva. Tem que se preservar de erros. O PDT tem que ser inteligente e aproveitar o momento atual, de formação de lideranças e de valorização de companheiros, que deram bons resultados nas diversas atividades que exerceram e exercem e nos resultados que obtiveram nos pleitos eleitorais. Pessoalmente, entendo que o fato de ter concorrido à Câmara Federal, em 2006, mesmo que não tenha conseguido me eleger, ajudou a divulgar o meu nome em termos regionais. Naquela eleição fiz mais de dez mil votos fora de Caxias.
“As negociações devem sempre
fortalecer o coletivo e o PDT,
e não as ambições pessoais”
Gazeta - Se o senhor repetir a votação de 2006 à Câmara Federal - 32 mil votos - à Assembleia, haverá condições de se eleger?
Vinicius - Acredito que com 30 mil votos dá para se eleger à Assembléia. Em 2006 fiz cerca de 20 mil votos em Caxias, claro que era o único candidato do partido à Câmara Federal e somei mais de dez mil em outros municípios. Mas tenho convicção de que poderei repetir e talvez até aumentar esta votação fora em 2010. Porém, em relação a Caxias, se tivermos mais do que um candidato, os votos serão mais divididos e, como já disse acima, corremos um sério risco de não elegermos ninguém ou no mínimo ver as chances de eleger um nome diminuídas.
Gazeta - Há quem comente que o PDT deverá ter candidato à prefeitura em 2012 e que o nome deve sair da eleição deste ano.
Vinicius – Olha, acredito que o PDT tem condições de ter um candidato em 2012, porém não dá para antecipar agora esta eleição no cenário local. Daqui a dois anos poderemos ter um cenário totalmente diferente. Decidir e tratar qualquer questão das eleições de 2012 em 2010, além de prematuro é irresponsável.
Gazeta – Por que seria irresponsável?
Vinicius - Vamos situar daqui a dois anos. O PDT não faz parte do governo municipal. Ele é governo e deve assumir a responsabilidade de tomar as decisões do partido dentro da agremiação, sem prejuízo ao governo municipal.
Gazeta - O senhor faria algum tipo de acordo que poderia beneficiá-lo nas eleições de 2010, em troca de apoiamentos futuros na eleição de 2012?
Vinicius - Eu tenho uma posição bem clara neste sentido. Não faria. Eu não faço acordos políticos que sempre combati. As negociações devem sempre fortalecer o coletivo e o PDT e não as ambições pessoais de quem quer que seja.
Gazeta - E o senhor, especialmente se conseguir se eleger deputado estadual, é candidato a prefeito em 2012?
Vinicius - Diria o seguinte: o importante não é a minha opinião, o que eu penso, mas sim o que o partido pensa. Defendo que o PDT tenha um candidato, cujo nome, ou nomes, será debatido no tempo propício para isso, não agora. Mas defendo, desde já, que tenha um candidato que pode ser o Alceu, o Nespolo, o Kalil, os atuais vereadores também não podem ser descartados. O PDT vai saber escolher no momento certo.
Gazeta - O senhor volta à Câmara em abril?
Vinicius - Se minha candidatura for oficializada pelo partido em Caxias terei que cumprir a lei eleitoral e afastar-me da Secretaria dos Transportes seis meses antes da eleição. Aí voltarei à Câmara para exercer a minha condição de vereador.