O vice-prefeito Alceu Barbosa Velho (PDT) está assumindo publicamente que colocará seu nome à disposição do partido para concorrer à Assembleia em outubro deste ano e que acatará qualquer decisão
Por João C. Garavaglia
Se for o escolhido se licenciará da prefeitura em abril. Se não for, permanecerá no cargo. Alceu defende a tese que o PDT deve ter apenas um candidato por acreditar que as chances de eleger alguém são de 100%.
Gazeta – O senhor é candidato à Assembleia?
Alceu - Sou sim, mas vou colocar meu nome à disposição do partido. É o partido quem vai definir. Como se diz, sou um solado do PDT. Se ele homologar meu , tudo bem, se não, acatarei e permanecerei na prefeitura. Sei que tem mais dois colegas que também pretendem concorrer, são eles o vereador Gustavo Toigo e o secretário Vinicius Ribeiro, dois excelentes nomes que o PDT tem além de outros que também teriam condições. Mas defendo a tese de que o PDT deve ter apenas um candidato à Assembléia e também à Câmara, pois aí as chances de se eleger seriam de 100%. Com duas candidaturas corremos riscos, com três, ficaríamos ameaçados de não ter nenhum.
Gazeta - O fato do PDT nunca ter conseguido eleger nenhum deputado estadual com os votos caxienses influencia este seu posicionamento?
Alceu - Veja que nunca conseguimos eleger um deputado estadual com os votos apenas de Caxias. O Kalil, que é nosso deputado, precisou de votos de fora para se eleger. O Nadyr Rossetti, que se elegeu deputado federal em 1982, também necessitou de votos de fora. Então, se já é difícil com um candidato imagine com dois ou três. Mas acredito que em 2010, pela estrutura atual do PDT em Caxias, se tivermos apenas uma candidatura à Assembléia, as chances de elegermos serão de 100%.
Gazeta - Alguns analistas entendem que caso o senhor for candidato poderá prejudicar também a candidatura da esposa do prefeito Sartori, Maria Helena, que será candidata do PMDB à Assembleia?
Alceu - Li esta especulação em outros veículos, o que eu acho um absurdo. Minha candidatura não é contra ninguém. Minha candidatura, se ela acontecer, é exclusivamente do PDT, será uma decisão do partido. Minha relação com Sartori é 100%. Ninguém vai conseguir estragar este relacionamento que sempre foi de lealdade e companheirismo desde 2005 quando chegamos à prefeitura. Sartori tem, entre suas inúmeras virtudes, a de sempre respeitar as decisões internas dos partidos que o apóiam na prefeitura.
Gazeta – Há comentários também que o senhor pretende concorrer à assembleia, eleger-se, para aí concorrer à prefeitura em 2012.
Alceu - Neste 2010 temos que falar sobre as eleições de outubro. Há uma distância muito grande em relação às eleições municipais de 2012. Este é um tema que deverá ser debatido a partir de 2011. É muito cedo ainda.
“Não existe acordo
entre PMDB e PDT
para as eleições de 2012”
Gazeta - Mas depois de ter sido eleito duas vezes vice-prefeito, não é normal o senhor projetar uma candidatura à prefeitura em 2012?
Alceu - Agora projeto, na verdade, uma possível candidatura à Assembléia, se o partido assim decidir. Porem, defendo desde já que para as eleições de 2012 temos que manter as coligações vitoriosas nas eleições de 2004 e 2008. Defendo que os 15 partidos devem permanecer sem definir candidaturas. O sucesso da presença destes 15 partidos tem sido fundamental na administração Sartori. E esta unidade precisa ser mantida em 2012. A escolha do candidato fica, inicialmente, para um segundo plano. Ele deve ser definido no momento certo.
Gazeta – São cada vez mais crescentes as informações de bastidores de que em 2008 teria havido um acordo entre PMDB e PDT de que nas eleições de 2012 o candidato à prefeitura seria do PDT com o apoio do PMDB. O que há de verdade?
Alceu - Posso garantir que não há acordo algum. Nada foi discutido, nem em 2004 e ou em 2008 neste sentido. O que houve foi uma aliança, que começou com o PMDB e o PDT, e depois outros acabaram aderindo como foi em 2008 quando tivemos 15 apoiando e que foi decisivo para Sartori se reeleger. Esta sólida unidade é que precisa ser mantida. Admito, porém, que o apoio do PDT, tanto em 2004 como em 2008 contribuiu e muito para eleger Sartori. Mas, acima de tudo, na última eleição foi a coligação com 15 partidos.
Gazeta - E o senhor acredita que ela possa ser mantida?
Alceu - Acho que sim, não vejo por que não. Acredito que o PMDB, PDT, PTB, PSDB apenas para citar quatro, devem permanecer juntos em 2012 e negociar um nome. Claro que todos eles têm o direito de exercitar democracia interna e definir os rumos que acharem melhor para cada um. Mas o mais sensato neste momento é mantermos a unidade.
Gazeta - Comenta-se que como Sartori não concorrerá mais, o seu nome seria o mais viável nesse acordo.
Alceu - Vamos deixar bem claro que o PMDB e o PDT não são apenas o Sartori e o Alceu. Os partidos têm vida própria e independência para decidirem. Todos têm boas opções parta concorrer. O prefeito Sartori, volto a repetir, sempre respeitou as decisões partidárias. Sei que existem comentários de que o candidato natural seria o vice. Mas este compromisso não existe. Afinal, ninguém é candidato de si mesmo. O que nós temos que fazer é sentarmos numa mesma mesa, unir o grupo e aí sim ungir alguém para ser o candidato. Mas isto tudo a partir de 2011.