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03/12 às 18:52 Aeroporto
 

Aeroporto só em dez anos

Estimativas dão conta de que haverá necessidade de dez anos para aeroporto estar pronto

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Por João C. Garavaglia

 
Foto por Arquivo/ Gazeta de Caxias
Por twitter Yeda anunciou que área de Vila Oliva tem melhores índices

Governo do Estado está indicando a área de Vila Oliva para o futuro Aeroporto Regional da Serra. A decisão foi divulgada pela governadora Yeda Crusius (PSDB), por Twitter na tarde do último dia 29, o que causou indignação de alguns setores e de integrantes do futuro governo. Em seu twitter, Yeda disse que o relatório indicando Vila Oliva como a melhor área para a construção do novo aeroporto seria entregue ao futuro governo que é quem definirá e encaminhará todas as questões sobre o local.

 

A decisão foi tomada a partir de um estudo realizado pelo Departamento Aeroportuário da Secretaria de Infraestrutura e Logística do Governo do Estado (Seinfra), coordenado pelo secretário Daniel Andrade e entregue a chefe do Executivo gaúcho. O investimento também é disputado pelo distrito Monte Bérico, entre Farroupilha e Bento Gonçalves e municípios adjacentes. O estudo deu nota de 9,69 para a Vila Oliva e 5,34 para Monte Bérico. O projeto prevê uma pista de três mil metros, numa primeira etapa, chegando aos quatro mil, num segundo momento. Além disso, terá infraestrutura para receber aeronave de grande porte e voos de carga e passageiros.

"O novo Aeroporto da Serra foi estabelecido pelo Plano Aeroportuário do Estado. Será uma estrutura de grande porte para receber carga e passageiros. Em um primeiro momento, receberá aeronaves até 767-300, já prevendo uma ampliação para receber aviões do tipo 747-carga", observou o secretário de Infraestrutura. Daniel Andrade acrescentou que o relatório apontou qual o espaço que apresenta as melhores condições técnicas para receber o aeroporto, que será o principal da Serra gaúcha, o que acabou norteando a decisão da governadora.

"Trata-se do quarto estudo que realizamos e o mais meticuloso. Levamos em consideração fotos georeferenciais de satélites que fizeram um RX da superfície, principalmente mostrando a vegetação nativa, plantações, estradas, solo exposto, curva de nível e acidentes geográficos, entre outros", destaca o diretor do Departamento Aeroportuário da Seinfra, Fernando Coronel. Ele observou que tudo foi digitalizado e cada um dos detalhes técnicos estudado e comparado. "Concluímos que a área de Vila Oliva reúne as melhores condições técnicas para receber um aeroporto de grande porte", disse.

Coronel observou ainda que, pelos estudos, a área de Monte Bérico não teria capacidade de ter uma pista de 4 mil metros e este também foi um detalhe conclusivo para que Vila Oliva fosse escolhida, além de todas as demais referências citadas.

O diretor disse que a partir de agora serão enviados os dados técnicos que apontaram Vila Oliva para que o governo que está chegando referenda ou não. Depois vem o processo licitatório e quando as obras iniciarem caberá ao DAP fiscalizar. Coronel revelou também que as aeronaves que pousarão e decolarão do novo aeroporto terão capacidade para até 300 passageiros.

Quanto ao prazo de sua conclusão as previsões não são muito otimistas. Para Fernando Coronel “a estimativa é que serão necessários cerca de 10 anos para que esteja pronto e em condições de ser inaugurado. Depois de o projeto estar concluído haverá necessidade de se buscar recursos, conversar com o governo federal. Até sair do papel para a prática, será um longo tempo”.

 

 Cobranças e críticas

 como área foi anunciada

 

 

 

 

 

O anúncio de Yeda não agradou o futuro secretário de Infraestrutura e Logística, Beto Albuquerque (PSB). Disse inicialmente que não pretendia opinar sobre o tema antes de se inteirar do assunto, mas chegou a sugerir que “Yeda, ao invés de anunciar obras em final de governo, deveria pegar as malas e ir para casa”. Sobre a melhor pontuação de Vila Oliva, o futuro secretário disse que “não conheço, só sei que teremos de avaliar. O aeroporto tem que ser de uma região, não de uma cidade”. Esta última manifestação foi entendida por alguns como uma alfinetada em Caxias. Nas entrelinhas, Albuquerque deu a entender que o futuro governo Tarso Genro dará a última palavra sobre o local. Voltou a falar também sobre a viabilidade econômica como um fator importante para sua localização.

O deputado federal Pepe Vargas (PT), que nunca escondeu sua simpatia pela área de Monte Bérico por entender que ela está mais centralizada com a região, criticou a contratação de uma empresa particular para realizar estudo semelhante ao da Anac e que também apontou Vila Oliva como a melhor opção. Disse que “contratar uma empresa particular é desperdício de dinheiro público. Ninguém faz estudo técnico melhor do que a Anac”. Pepe criticou a decisão da governadora  por ter divulgado o parecer técnico do Departamento Aeroportuário (DAP) que indica Vila Oliva como o  melhor local. Para o petista, “é uma decisão inócua, porque decide algo que podia ter sido decidido há um ano, a partir do estudo da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) feito em 2009”. Pepe enfatizou que “a 30 dias do fim do seu mandato ela vem e faz um monte de coisa que não fez ao longo dos quatro anos de seu governo”.

O presidente da CIC, Milton Corlatti, dizia, na terça feira, que “o anúncio só terá validade quando o governo apresentar documento formal”. Mas enfatizou que Vila Oliva sempre apresentou os melhores índices técnicos e todos sabiam que é o melhor local para construir o aeroporto.  Ele voltou a defender que a decisão final deve ser meramente técnica e não política, “pois se for pela segunda hipótese vamos ficar muitos anos discutindo o local”. Ele não gostou da maneira como o assunto foi divulgado via twitter e que acabou virando página de jornal.

Corlatti acha que o tema poderia ter sido tratado com mais seriedade, “pois acredito que temos que parar de sermos tratados como crianças e imbecis”. Ele lembrou: “Precisamos de pessoas responsáveis que possam decidir”.  Lamentou que “o retorno que Caxias tem recebido é zero, nós somos deixados sempre de lado. Vamos deixar para os técnicos resolverem e não na base do taco”. Ele lembrou que “o estudo para a construção do futuro aeroporto data de 1980 e agora, depois de tudo definido, há uma previsão que ele só seja concluído dentro de uns 10 anos. Depois de sua oficialização haverá tal necessidade da busca de recursos e de toda uma montagem de superestrutura na área que demanda longo tempo. Mas o importante é que haja a oficialização o mais breve possível”.

O empresário Ademar Petry, do Conselho Superior da CIC de Bento Gonçalves, disse que “o anúncio foi recebido com surpresa, porque havia sido assegurado pelo secretário Daniel Andrade de que quando o estudo estivesse concluído seríamos chamados para que todo o relatório fosse exposto”. Ele disse que foi mais estranho ainda o anúncio “porque ele foi feito através do twitter por parte da governadora. Não que ele não possa ser usado, mas entendemos que no momento o mais sensato e lógico, na medida que ela, em quatro anos, não indicou a área, e como se vive no momento um período de transição no Piratini, a indicação e a discussão sobre o assunto deveriam ser comandadas pelo futuro governo que assume em janeiro”.

Petry disse que ficou surpreso também com os dados divulgados, agora, de 9,69 para Vila Oliva e 5,34 para Monte Bérico, lembrando que “pelo que sabemos, o relatório da Anac, cujos dados, ao que parece, não foram levados em conta agora, tinha índices praticamente idênticos entre as duas áreas e não a diferença apresentada por este novo relatório”. O empresário bentogonçalvense sustentou ainda que o futuro governo avalie “os levantamentos técnicos, geográficos, e socioeconômicos das duas áreas”. Ele salientou que “segundo a Anac, ela definiu as duas áreas praticamente idênticas, senão não teria feito comparações com ligeira diferença”.

O prefeito José Ivo Sartori (PMDB) comemorou o anúncio e pela primeira vez se manifestou publicamente sobre o assunto aeroporto. Ele disse que “nunca tive dúvidas sobre a escolha de Vila Oliva. É a mais viável. Como sabíamos que seria esta área, ainda em 2006 a prefeitura projetou 446 hectares naquela região. Sabe-se que os recursos serão oriundos dos governos federal e estadual, mas a prefeitura  também contribuirá. Além de desapropriar a área e ajudar na infraestrutura concluíra as obras de asfalto dos trechos que ligam Vila Oliva, através de Fazenda Souza e Santa Lucia do Piai”.

O prefeito de Bento Gonçalves, Roberto Lunelli (PT), depois de criticar a maneira como a governadora definiu Vila Oliva, há cerca de 30 dias de sua saída do Piratini, disse que “se ela efetivamente oficializar como o local, passarei a defender que o futuro governador Tarso Genro reavalie a decisão tomada”. Ele observou que “o aeroporto de Vila Oliva não beneficia a região, mas apenas um local, que fica distante das áreas mais povoadas, o que não é o caso de Monte Bérico, que está no centro da região além de ser o mais viável em números socioeconômicos e trazer vantagens no que refere à distância”.

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