Entre 1900 e 1910 o município desenvolveu-se. Foi nesse ano que a vila de Caxias foi elevada à condição de cidade, pelo Decreto Estadual 1.607, de primeiro de junho de 1910, no mesmo dia da inauguração da linha férrea que ligava Caxias a Porto Alegre. Grandes foram as festividades que marcaram o evento e ainda maiores as transformações ocorridas na região.
Em 1910 o município tinha quatro distritos: O primeiro era a sede, o segundo Nova Trento, o terceiro Nova Milano, o quarto Nova Pádua. Em cada sede distrital existiam casas comerciais importantes para o abastecimento das regiões circunvizinhas, já que o transporte por rodovia era ainda feito por carroças. Os colonos, assim, economizavam tempo comprando e vendendo em lugares mais próximos de suas propriedades.
Modificações I
A estrada de ferro modificou o panorama econômico, desenvolvendo mais os povoados por onde passava, onde geralmente havia estações férreas. Foi o caso de Nova Vicenza (Farroupilha em 1934) que em poucos anos superou pelo progresso Nova Milano, tornando-se sede do terceiro distrito. O segundo distrito, com sede em Nova Trento (Flores da Cunha em 1924), ao contrário do anterior, excluindo da rota da estrada de ferro vai aos poucos perdendo forças para outras regiões.
Modificações II
Modificações ocorreram na economia local, não só com a chegada do trem como também com o advento da energia elétrica. A energia elétrica fornecida por empresas privadas faz com que a vida da cidade se transforme. As casas comerciais puderam então ampliar os horários de funcionamento, e os caxienses tiveram mais facilidade para sair à noite.
Estrutura
A cidade com 122 lâmpadas de 30 velas e quatro com arcos de 1.000 velas. A usina que fornecia a energia era de propriedade do Banco da Província. Possuía ainda um teatro, uma igreja, uma casa de saúde e um cemitério.
Também as indústrias foram afetadas, pois passaram por uma reorganização técnica. Surgiram novos estabelecimentos industriais e outros já existentes, como é o caso da Metalúrgica Abramo Eberle, em 1915 comprou um gerador de oito HP e ampliou seu capital, participando do esforço da Primeira Guerra Mundial(1914-1918).
Exigências
Durante esse período foram organizadas a Sociedade Vinícola Riograndense e a Indústria Madeireira, bem como a Indústria de trilhadeiras Evaristo de Antoni e a de produtos Químicos de Luiz Veronese.
Com o aumento da produção industrial surgiram novos líderes empresariais que passaram a participar ativamente da Associação Comercial. As exigências dos novos empresários tornaram-se maiores, e a Associação não as satisfez. Ao contrário da cidade, a Associação não se mostrou adequada aos novos tempos.
Os efeitos da chegada do trem
Os efeitos da nova organização da economia se fizeram sentir. A cidade cresceu. Os novos empregos atraíram trabalhadores, entre eles tecelões e tanoeiros. A população do município chegou a 32.000 habitantes. A sede possuía 8.000 moradores, o que representava 20% do total da população. Na zona rural havia 26.000 habitantes, 80% do total do município.
Não havia concentração urbana na sede, a maioria da população ainda era rural. No interior, as sedes dos distritos, pequenas povoações como a sede, possuíam indústrias, comércio e alguns serviços. Nem só de produção agrícola viviam as sedes distritais.
Comércio
O comércio caxiense possuía vários pequenos centros. Um situado na cidade propriamente dita, outros nas sedes dos distritos: Nova Trento, Nova Pádua, Nova Vicenza. Nos registros da intendência, porém, apenas o comércio da sede (cidade) era a única considerada como zona urbana, as sedes distritais eram consideradas como zona rural (interior). Na cidade estava localizada a maioria dos negócios, ou seja, 55,50% do total e no interior estavam 44,50% do total.
Diversificação
A cidade era pequena, mas com atividade econômica diversificada. Os negócios estavam em franca expansão. Idêntica era a situação das sedes distritais. A cidade contava então com 914 prédios, casas térreas de madeira em sua maioria, mas havia 123 sobrados de alvenaria de mais de um pavimento e 94 casas de alvenaria de um só pavimento.
Imprensa
Na época os comerciantes já anunciavam seus produtos nos jornais locais, como o Stafetta Riograndense – com sede em Garibaldi – que se transfere para Caxias dado o maior volume de anunciantes. Ou o jornal local “O Brazil” que anunciou a inauguração da estação férrea e achegada do trem em 1º de junho de 1910.
Núcleo urbano
O núcleo urbano contava desde 1910 com a Viação Férrea do Rio Grande do Sul, que tinha linhas diárias ligando Caxias a Porto Alegre. A via férrea atravessava os distritos. Forqueta e Nova Vicenza tinham estações de trem.
Entre a sede e a capital, a ferrovia passava pelos Municípios de São João de Montenegro, São Leopoldo e a estação de Carlos Barbosa, pertencente ao Município de Garibaldi.
Estradas de rodagem
Para essas estações, as estradas de rodagem afluíam. Vinham de vários municípios: de Garibaldi, de Bento Gonçalves e de Alfredo Chaves (Veranópolis). A mais importante das estações serranas era a de Caxias, já que por ela passava grande parte da produção regional. Correm diariamente dois trens tanto de passageiros e cargas cujo movimento é considerável.
Transporte rodoviário
Nem só de ferrovia vivia a cidade, o transporte rodoviário contava com 16 carros de praça, 27 carrinhos de passeio, 267 carretas, 70 carroças e dois automóveis. Estradas de rodagem cortavam o município, numa extensão apropriada de sessenta quilômetros. Existiam ainda estradas vicinais ligando as léguas e os travessões às povoações.
Ensino
A cidade contava ainda com rede telefônica pertencente à empresa Ganzo Fernandes & Coussirat de Araújo, numa extensão de 75, 530 km, servindo o primeiro, o segundo e o terceiro distrito. Funcionavam no município 63 escolas com 71 professores. A maior parte das escolas era mantida pelo poder público municipal e estadual. O ensino privado contava com quatro colégios de congregações religiosas. As escolas eram frequentadas por 3,881 alunos.
O Fim
A partir do final dos anos 40, com a inauguração da BR/116 e dos anos 50/60 com a política de construção de rodovias para atender à demanda das montadoras de veículos instaladas no governo JK, as ferrovias entraram em decadência. Em Caxias o último trem de passageiros passou por aqui em 1977. Quando da filmagem de “O Quatrilho”, em janeiro/fevereiro de 1995 viu-se novamente a presença de um trem na Estação Férrea. Foi a última vez.