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CIC defende ramal da Ferrosul para Caxias do Sul e região
Apelo foi feito ao presidente da Ferroeste, Samuel Gomes, palestrante da reunião-almoço desta segunda-feira (7)
Caxias do Sul quer ser contemplada com um ramal ferroviário dentro do projeto de operação da Ferrovia da Integração do Sul (Ferrosul), empresa ferroviária que está sendo criada pelos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Este foi o apelo feito pela direção da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) e pelos empresários presentes à reunião-almoço desta segunda-feira (7) ao diretor-presidente da Ferroeste S.A.
Agente indutor
O advogado Samuel Gomes foi o palestrante do evento que abriu o II Seminário de Transporte Ferroviário de Cargas na entidade com o objetivo de debater o transporte ferroviário como agente indutor do desenvolvimento econômico e social e apresentar estudos e propostas para a reativação do modal de transporte de cargas sobre trilhos.
Destruição
Depois de historiar o processo de privatização das ferrovias brasileiras, e do que classificou de destruição do sistema ferroviário nacional com a substituição do monopólio estatal por monopólios privados regionais, o presidente da Ferroeste acredita que a Ferrosul será resultado de uma aliança estratégica entre unidades da federação para desenvolver o Sul do Brasil.
Evolução
Além de falar do processo de evolução da Ferrosul a partir da Ferroeste, ele destacou os benefícios que uma empresa administrada pelo poder público para o setor privado, e sob o controle dos estados do Sul, trará para a economia e sociedade. “A Ferrosul terá como tarefa recuperar os trechos abandonados pela concessionária privada dentro de uma política de desenvolvimento, estabelecendo um modelo de gestão compartilhado entre o poder público e o setor privado”, afirmou Gomes.
Custo
O custo do transporte também mereceu explicações de Samuel Gomes. Segundo ele, a Ferrosul viabilizará o transporte até o porto de Rio Grande, com custos menores. Para o presidente da Ferroeste, para industrializar o seu interior, especialmente aquelas regiões sem acesso ao mar, o País precisa reduzir drasticamente o custo do transporte e isso será possível por meio de ferrovias modernas e eficazes.
Exército
“A Ferrosul é viável econômica e financeiramente tanto na construção da ferrovia como no seu financiamento”, sustentou o presidente da Ferroeste. Se houver aporte financeiro, Gomes, que defende a participação do Batalhão Ferroviário do Exército no projeto, estima que dois anos seja o prazo para a construção de todos os ramais.
Modal
A CIC também defende que a Serra gaúcha precisa de um modal de transporte alternativo. De acordo com o presidente da entidade, Milton Corlatti, um levantamento feito pela CIC aponta que a economia caxiense movimenta aproximadamente três milhões de toneladas em mercadorias e insumos. Apenas no aço, para transportar as 700 mil toneladas do produto, são necessárias, em média, 67 carretas diárias.
Vanguarda
“Somos o segundo pólo metalmecânico do Brasil e acredito que esses números, por si só, justificam a retomada do trem. O espírito empreendedor de nossa Região espera poder contar com a inteligência de nossos gestores públicos para a execução de projetos que nos posicionem na vanguarda da logística sustentável do custo Brasil”, declarou Corlatti.
A Carta de deliberações
No final do seminário foi elaborado um documento que será encaminhado às autoridades responsáveis pelos investimentos em transportes no País
As deliberações do encontro são as seguintes:
O II Seminário de Transporte Ferroviário de Cargas, realizado em Caxias do Sul, RS, nos dias 07 e 08 de junho de 2010, registra e aprova o que segue:
1) Reconhece o equívoco histórico cometido com a desativação do transporte ferroviário, iniciado na metade do século XX e finalizado na década de 90, em favor de iniciativas nacionais estrategicamente voltadas à adoção do sistema rodoviário;
2) No momento em que a comunidade regional lembra os 100 anos da instalação da modalidade de transporte ferroviário na região, registra-se a importância e o reconhecimento daquele equipamento como alavancador do progresso social e econômico da região, traduzido enquanto bem constitutivo de patrimônio histórico e cultural, afirmando a sua identidade;
3) A proximidade entre os municípios da região nordeste do Rio Grande do Sul, a expansão urbana e sua consequente conurbação exigem a instalação de um sistema de transporte coletivo, de caráter intermunicipal, onde a modalidade ferroviária faz-se necessária;
4) A globalização no mundo dos negócios exige a concentração de esforços no sentido de garantir a competitividade. Nesse sentido, a Serra Gaúcha apresenta uma densidade econômica que justifica a instalação de um sistema de transporte de carga na modalidade ferroviária que contribuirá para o desenvolvimento da região sob os aspectos econômicos, social, ambiental e cultural, assegurando a sustentabilidade;
5) As três vertentes consideradas – manutenção do patrimônio histórico da região, transporte coletivo de passageiros e transporte de cargas - são fundamentais para a região, constituindo-se em um conjunto em que todas podem ser contempladas, eis que compatíveis e complementares;
6) Reafirma o item 01 das Conclusões e Próximos Passos definidos no Seminário de 2008, Serra Gaúcha nos Trilhos – Seminário Trem e Desenvolvimento Regional: “há unanimidade na afirmação de que é urgente avançar em medidas práticas concretas para retomada do modal ferroviário, integrando o transporte de cargas e passageiros e sua conexão com os demais modais de transporte”;
7) A região nordeste do Rio Grande do Sul manifesta sua intenção de estar incluída em todo e qualquer projeto de instalação de sistemas ferroviários. Para tanto, as forças políticas, sociais e econômicas da região, de forma integrada, estão unidas para viabilizar a implementação do modal de transporte ferroviário de passageiros e cargas;
8) Referenda a Aglomeração Urbana do Nordeste – AUNe como articuladora e porta-voz das demandas regionais com vistas a retomada do modal ferroviário e por meio do Comitê Trem Desenvolvimento Regional da Serra Gaúcha criará um cronograma de trabalho compartilhado entre todas as instituições e atores regionais;
9) Reafirma a necessidade da realização do estudo de viabilidade de transporte de cargas em complementação ao estudo de transporte de passageiros já em execução pela Universidade Federal de Santa Catarina / LabTrans, em sintonia com um Plano Diretor de Logística Ferroviária da Região do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul - CODESUL;
10) Apóia proposta de expansão do eixo ferroviário do norte do país para os Estados do sul até o porto de Rio Grande/RS e ao mesmo tempo confirma o interesse e a necessidade da inserção da Serra Gaúcha no sistema ferroviário nacional.
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