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Decisão judicial pode impedir distribuição de água para 2012
Desmatamento da barragem Marrecas será reavaliado pelo IBAMA. Anuência para corte de Mata Atlântica foi cassada por meio de ação judicial.
Por João C. Garavaglia
Mais um problemão para a Prefeitura Municipal no caso agora do Samae que estava planejando a distribuição de água para a população caxiense no início de 2012. Acontece que a juíza federal substituta Clarides Rahmeier, da Vara Ambiental, Agrária e Residual da Justiça Federal de Porto Alegre desautorizou o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) o corte de milhares de araucárias no futuro sistema da barragem Marrecas cujas obras estão previstas para serem entregues à população até 2012 devem garantir o abastecimento de água à população caxiense nos próximos 20 anos.
Em 2008 o Ibama, orientada pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), autorizou a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Caxias do Sul (Semma) a realizar o corte, missão delegada ao Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto (Samae). A decisão da justiça federal surgiu a partir de um pedido feito pelo Instituto Orbis de Proteção e Conservação da Natureza de Caxias do Sul e pelo Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (INGA) e pela União Pela Vida, os dois de Porto Alegre. Segundo a nota divulgada pela entidade existem denúncias de irregularidades no licenciamento ambiental da barragem Marrecas e assim o desmatamento da área.
Na nota, o registro de que “o Ibama deverá analisar as denúncias de fraude no licenciamento ambiental da barragem Marrecas, e seu consequente desmatamento. A licença ambiental prévia, que admite o empreendimento define sua localização, foi emitida sem análise das alternativas técnicas e locacionais, em discordância às normas de proteção ambiental previstas na Lei da Mata Atlântica, Código Florestal e Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, que regem o licenciamento ambiental”.
.Prefeitura tenta reverter
a decisão na justiça
Na nota, ainda a informação de que “agora, sentença proferida pela Justiça Federal julgou parcialmente procedente ação de mandado de segurança impetrado por entidades ambientalistas, cassando a autorização para desmatamento. Além disso, foi autorizando ao IBAMA agir frente às irregularidades constatadas que redundariam em desmatamento da Mata Atlântica. Promovem a iniciativa o Instituto Orbis de Proteção e Conservação da Natureza, de Caxias do Sul, o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais – INGÁ e a União Pela Vida – UPV, de Porto Alegre”.
Ainda na nota é declarado que a suposta irregularidade na autorização do Marrecas foi levantada por seis técnicos de carreira da Fepam, que teriam recomendado a negativa de licença ambiental para a barragem da Marrecas. Segundo a nota, ainda essa equipe teria sido destituída pela então diretora-presidente da fundação, Ana Pellini, e a licença, então concedida, mediante a intervenção de dois servidores ligados ao governo Yeda Crusius (PSDB).
Conforme o diretor-presidente do Samae, engenheiro Marcos Vinicius Caberlon, o corte é de seis mil pinheiros e não de 10 mil como consta na ação que tramita na Justiça Federal - estando previsto para julho, assim que terminar a floração das araucárias. Segundo ele, as plantas precisam ser retiradas para que não tragam prejuízos à qualidade da água. Outra informação é que a madeira pode ser vendida a outras cidades por meio de licitação”.
Caberlon destaca ainda que “a decisão da justiça pode ser revertida até setembro, sem prejuízo ao cronograma, já que o corte pode ser feito em até 30 dias. O preenchimento do reservatório de água está previsto para iniciar em outubro. Porém, se houver atraso nessa etapa, a distribuição esperada para começar no primeiro trimestre de 2012 também será prorrogado.
Por outro lado, segundo o procurador geral do município, Lauri Romário Silva, os institutos acionaram a justiça questionando a falta de estudos de áreas alternativas, o que não é verdade. Lauri garante que estudos existem e foram anexados no recurso ingressado na justiça na semana retrasada. Ele espera que a sentença seja revertida em 15 dias. Segundo ele, “não tem por que parar a obra porque quem suspende o licenciamento é o Ibama. “Temos toda a segurança de que não há irregularidade”, diz Lauri.. Segundo a assessoria do Ibama no recurso apresentado pelo instituto a justificativa é que não compete a ele analisar as alternativas do local, conforme o questionamento no mandado de segurança.
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