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28/06 às 10:01 Polêmica
 

Economista questiona localização do aeroporto em Vila Oliva

E denuncia que por falta de conhecimento o presídio do Apanhador foi construído em área do município de São Francisco de Paula.

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Por João C. Garavaglia

 
Foto por Luiz Antônio Alves
Área onde se projeta construção do novo Aeroporto Internacional, em Vila Oliva, é considerada por Alves um satuário ecológico
O economista e escritor Luiz Antônio Alves levanta uma série de contestações envolvendo a possível construção do Aeroporto Internacional em Vila Oliva. Para Alves, a construção traz graves prejuízos ao meio ambiente. 
 
Concepção
Alves lembra que “a moderna concepção aeroportuária do mundo globalizado exige mudanças de conceitos e atitudes. As novas plantas são baseadas em dados técnicos, como se sabe. Aqui em Caxias, muito se fala nas condições de vôo, neblina, clima, equipamentos específicos, de logística própria, tráfego aéreo, segurança, transporte de cargas e passageiros, mobilidade, acesso facilitado, rede de comunicações, etc”.
 
Impeditivos
Para o economista, “não existe preocupação em medir os impactos ambientais e culturais promovidos por este tipo de obra de grande (?) porte. Os setores que desejam ardentemente esta obra não se dão conta de que há necessidade de planejar para o futuro considerando-se estes impeditivos éticos, morais e legais. Não considerar alguns pontos que afetam a sobrevivência e o bem-estar das pessoas no longo prazo é um atraso intelectual e até um crime”.
 
Progresso
Ele reconhece que “é difícil impedir o progresso. Mas a pergunta é: que progresso? Aquele que depreda e atropela, em nome de um empreendedorismo capitalista ultrapassado? Os cidadãos dignos sabem que é importante atenuar impactos para que as gerações subsequentes à nossa não nos condenem. Tento há alguns anos convencer alguns setores, incluindo o político e o empresarial de que temos que ouvir, democraticamente, técnicos e população, em primeiro lugar”.
 
Meio ambiente
Ele ressalta, ainda, que “os levantamentos técnicos (laudos) contemplem análise de custos e benefícios e de quais seriam os impactos negativos ao meio ambiente (flora e fauna, fontes de água), e também o que significa alterar uma paisagem campeira, rural que envolve uma cultura diferente onde vivem pessoas que ainda não foram prejudicadas pelo crescimento das cidades.
 
Yeda
Alves revela ainda que “enviei ano passado correspondência à governadora Yeda Crucius (minha ex-professora) tentando sensibilizá-la para este problema e aquele relacionado ao presídio do Apanhador. Não sei se fui atendido, mas logo depois do envio da referida correspondência ela determinou uma licitação pública para que se escrevesse empresa técnica do setor para realizar um levantamento nas áreas escolhidas (Vila Oliva e Mato Perso)”.
 
Imprecisos
Ele diz que “foi uma medida sensata, pois não se pode iniciar uma obra deste porte num oba-oba inconsequente só porque alguém quer e pronto! Os levantamentos apresentados a ela eram discutíveis e imprecisos. Além disto, os quesitos formulados pela Assembleia não foram respondidos”.
 
Nascentes
O economista observa que “a região de Vila Oliva apresenta alguns tópicos que desejo ardentemente uma avaliação independente e cidadã. Lá, próximo às futuras cabeceiras da pista provável, estão fontes de águas vertentes e nascentes importantes como a do Rio Piaí. Aí vem a primeira das várias perguntas: os resíduos sólidos serão tratados ou serão canalizados para estas aguadas serranas? Lembre-se que este manancial corre para o Rio Caí e chega até a Capital do Estado. Não existirá incompatibilidade com a legislação que trata das águas”?
 
  
 
 “A região é ainda um
 santuário de flora fauna”
 
 
Diz que “quem visitar a região verá que ela ainda é santuário de extensa flora e fauna. Muitos espécimes que já estavam ameaçadas de extinção há 20 ou 30 anos, começam a reaparecer num refúgio que abrange área de dois Municípios e não apenas de um: tatus, veados, perdizes, pacas, cotias, bugios, leõezinhos-baios, lontras, Joões-grandes, socós, gaviões, araucárias, cedros, ipês, cambões, campo de macega verdejante, ar não poluído...”
 
Conscientização
Alves levanta algumas questões: “não haveria necessidade de um inventário da flora e da fauna e se tudo isto pode ser afetado pelo aeroporto? Foi muito difícil para muitas pessoas da região resgatar tudo isto que estava se perdendo. Houve conscientização de parte daquela população que está atendendo às novas penas impostas pelo IBAMA, mas também pelo valor agregado que isto representará no futuro na conservação de áreas do gênero envolvendo uma cidade que não para de crescer”.
 
Arqueológicos
Ele salienta que, “além disso, ao redor existem notícias de muitos sítios  arqueológicos, alguns cadastrados outros não. Portanto, aqui também deve se ter um manuseio de ideias de preservação de nossa memória. Sabe-se que aqui na cidade houve um crime muito grande em destruir sítios arqueológicos que poderiam contar um pouco de nossa pré-história, numa gritante falta de zelo pelo patrimônio histórico e cultural”.
 
Preconceitos
Alves questiona “se seria um processo recheado de preconceitos ou racismo em tentar acabar com os vestígios indígenas? Até o barulho poderá alterar o conceito de bacia leiteira, por exemplo. Mas o que mais me preocupa é que alguns setores da elite caxiense, mais uma vez, “nem estão aí” com o povo do Juá. O novo aeroporto ficará uns 5 km em linha reta da Capela, da Vila. E provavelmente os aviões “passarão” bem por cima daquela gente, e pela distância, terão condições de ver a cor dos olhos dos pilotos”.
 
 
“Estou pensando
  seriamente em
  promover uma
  ação pública”
 
 
Alves questiona ainda se “perguntaram para aquele “povo” se eles querem isto? O Juá, para quem não sabe, é o 5º Distrito de São Francisco de Paula e faz divisa com quatro distritos caxienses. Também tentei, através de contatos com as câmaras de vereadores e através da imprensa, alardear de que haveria necessidade de se constituir uma comissão mista, com pessoas de São Francisco e de Caxias para tratar desses assuntos relacionados aos limites dos municípios”.
 
Mau vizinho
Desanimado, diz que “parece que só eu estou preocupado. Vê-se que muitas obras estão sendo projetadas justamente na divisa com o Juá: o presídio, o lixão e o aeroporto. O pessoal de lá já se manifestou, inclusive com abaixoassinado e parece que tudo ficou desprezado pelo mau vizinho que é o município de Caxias do Sul”.
 
Mapa oficial
Alves enfatiza que “sempre alertei vereadores e imprensa de que havia problemas na divisa e que o presídio estaria em São Francisco e não em Caxias. Isto poderia acarretar muitos problemas. Este assunto, também, relatei à Governadora. Sem saber se ela atendeu ou não a minha súplica, ela apresentou no início deste ano um mapa oficial da região onde fica claro de que o presídio fica em São Francisco. Pouca gente se deu conta disto porque muitas pessoas importantes da cidade não deram o braço a torcer”.
 
Ilegalidade
Para o escritor, “examinando com profundidade o assunto, os vereadores poderiam ter cometido uma ilegalidade, pois Caxias estaria se apropriando indevidamente de uma área de outro município (diga-se de passagem, que São Francisco não queria a obra lá e nem teria condições de sustentar o seu funcionamento). Como se procurou condenar a manutenção e conserto da estradinha do Apanhador (que é uma localidade pertencente ao Distrito do Juá) através de uma atuação da Prefeitura de Caxias, teremos que seguir o mesmo raciocínio”.
 
Indenização
Alves quer saber “se Caxias gastou dinheiro, ou arrecadou alguns impostos e taxas com aquela obra. O prefeito Cola, de São Francisco, brincou que iria cobrar uma indenização do Sartori, mas não quer se comprometer com seu aliado político. No caso extremo, por que os Vereadores de Caxias foram inspecionar aquele presídio e os Vereadores de São Francisco não? Lógico que este assunto já foi solucionado quando a Justiça gaúcha determinou que aquele presídio ficasse subordinado à Comarca de Caxias”.
 
 “A decolagem
 das aeronaves
 terá segurança”?
 
 
Ação
Alves lembra que “mesmo assim, foi um remendo necessário a um problema que poderia ter sido evitado deste o início se pesquisadores, historiadores e comunidade daquela região fossem ouvidos. Estou pensando seriamente em promover uma ação civil pública para garantir que não sejam cometidos novos crimes e os setores envolvidos garantam que trabalharão para a não ocorrência de impactos negativos naquela região”.
 
Laços de família
Critico, o economista destaca que “inclusive para demonstrar que a elite caxiense não considera o pessoal do Juá nem de São Francisco que, historicamente, têm laços familiares e que ajudaram no crescimento de Caxias. Lembramos de que atualmente cerca de 60% do atual território caxiense pertencia antigamente a São Francisco de Paula. A empreitada é difícil e não tenho encontrado aliados nem entre professores e alunos dos cursos de Direito Ambiental, Biólogos ou das áreas de História e Arqueologia”.
 
Contradições
Ele diz que existem contradições, “pois se acontece o corte de alguns pinheiros na cidade, há manifestações. Se o problema é o mesmo a 30/40 kms de distância do centro da cidade, nenhuma  reclamação... O pessoal do interior, realmente, é um corpo estranho para a civilização cosmopolita e dita politizada... Entrar com esta ação representa muita incomodação pessoal, tempo perdido, dinheiro gasto, inimizades, etc. Fazer o que, se quem ganha salário para nos representar, até os partidos que dizem defender a Ecologia, ficam surdos, mudos e inoperantes”!
 
“Estradinha”
Alves alerta que “o trecho de Vila Oliva a Gramado/Canela exigirá um gasto extraordinário de engenharia rodoviária, pois a “estradinha” de ligação, pelo menos a que a gente sabe pela imprensa, é um lugar cheio de peraus e pedreiras. Não será fácil convencer os cidadãos daquelas cidades turísticas de que elas ganharão acesso rápido e bom até o novo aeroporto. Parece que a maioria não conhece a História nem a Geografia do local”.
 
Decolagem
O economista revelou ainda à Gazeta que “além da correspondência à Governadora também tive um contato com representantes da Assembleia Legislativa do Estado e o vice-presidente, deputado Francisco Áppio esteve comigo naquela região. Lá eu mostrei para ele todos os problemas que deverão ser enfrentados e respondidos por um laudo técnico. E se prestarem bem atenção, pelo que é projetado, bem no final da pista, existe um morro bem alto. Como será feita a decolagem das aeronaves com segurança”?
 

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