“Eis o silvo da locomotiva; Eis a nota mais simbólica do progresso humano, eis enfim, para nós caxienses, principalmente, um sonho realizado”.
As emocionadas palavras integram o discurso do alfaiate e comerciante Rodolpho Braghirolli, no memorável dia 1° de junho de 1910. O documento manuscrito foi doado por José Afonso Braghirolli Galvão em 2009. O Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami conserva outras preciosidades que permitem a reconstituição histórica da época, como exemplares do jornal “O Brazil”, acervo raro recentemente adquirido pelo Município; fotografias de Domingos Mancuso – doadas por Francisco Fortuna em 1983 ; cópias de telegramas; e relatórios da Intendência.
Memória oral
O texto da revista lembra que “além deles, conta com a memória oral preservada, onde vários depoentes deixaram lembranças que o tempo não apagou. Como o de Guerino Angel Boff, então com seis anos de idade, um dos então 32.000 habitantes de Caxias: “Eu fui lá com meu pai. Quando o trem chegou, as pessoas diziam ‘a carreta sem boi’. Sim, porque naquele tempo não tinha automóvel, não tinha caminhão. Naquele dia, foi bastante gente da colônia para ver a inauguração. Ficamos lá até que chegou o carro sem animal na frente, sem burro, sem boi”. Depoimento ao Banco de Memória/ AHMJSA, 1998.
Nuvem de gente
“Ou de seu contemporâneo, José Zambon: “No dia da chegada do trem (...) parecia uma nuvem de gente. Tinha gente de toda parte. Vinham de Nova Trento, da colônia, dos arrabaldes. Foi um acontecimento mesmo. Ouvia-se o apito de longe, quando se estava lá no Desvio Rizzo. No dia da inauguração, lá na Estação, tinha duas bandas que tocavam – a Santa Cecília e a Independente; os alunos foram acompanhados com suas professoras, as pessoas soltavam foguetes. Eu estava no meio de toda aquela gente”. Depoimento ao Banco de Memória/ AHMJSA, 1984.
Inflamados
discursos
Liderada pelo Intendente em exercício, Tancredo Feijó, a comunidade local e regional recebeu os passageiros da viagem inaugural – autoridades estaduais e convidados. O presidente do Estado do Rio Grande do Sul, Carlos Barbosa, não compareceu, tendo sido representado pelo Chefe de Polícia, Vasco Pinto Bandeira. Mas os caxienses não se desmotivaram. Os nomes de Borges de Medeiros, Júlio de Castilhos e Carlos Barbosa apareciam nos cartazes de agradecimento e nos inflamados discursos”.
Caxias cidade
À noite, durante o baile que comemorava a chegada do trem, chegou telegrama assinado pelo Presidente do Estado, Carlos Barbosa, anunciando que a partir daquela data, 1º de junho de 1910, conforme decreto, Caxias passava à condição de cidade deixando de ser Vila. O anúncio foi comemorado entusiasticamente e com espocar de foguetes.
Parecia uma
revolução
Graciema Paternoster Pieruccini, então com 18 anos de idade, recordou: “Naquela noite fizemos um baile no Juvenil. Quando foi de madrugada, chegou um telegrama do Presidente do Estado, dizendo que Caxias foi aclamado cidade. Imagina os foguetes! Não terminava mais, parecia uma revolução. O trem foi uma grande coisa para Caxias”. Depoimento ao Banco de Memória/ AHMJSA, 1985. De fato, pelo Decreto Estadual nº. 1.607, a Vila Santa Tereza de Caxias, representando a sede do município, era elevada à categoria de cidade.